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Mulheres que amam gatos são mesmo loucas?


Todos nós conhecemos alguém que adora cachorros ou cavalos, tartarugas, passarinhos, enfim, algum tipo de animal. Mas não conhecemos ninguém que considere esse alguém louco, a menos que seu bicho preferido seja um gato. Ou melhor, a menos que esse alguém seja uma mulher e que seu bicho preferido seja um gato. É curioso também que, em muitas reportagens, a palavra obsessão seja aplicada quando se trata do amor por gatos e não por outros pets. Por que isso acontece? A BichoFino resolveu investigar.

Era uma vez uma feiticeira e ela tinha um gato
Assim pensavam os cristãos entre os séculos 15 e 17. Livros escritos na época descreviam mulheres que adoravam secretamente o demônio e, com a ajuda dele, roubavam bebês antes do batismo, cortavam seus corpos e ferviam os pedaços em caldeirões para fazer venenos e poções mágicas. Essas mulheres viviam sozinhas, tinham vassouras, chapéus pontudos e… gatos. Por mais bizarro que pareça, milhares de mulheres foram levadas à morte por corresponderem a essas descrições fantasiosas, entre o período medieval e a idade moderna. O esteréotipo da crazy cat lady tem, portanto, uma herança cultural secular que associa, de maneira negativa, ser mulher, ser solteira e ter gatos em casa.

Um reforço recente à visão estereotipada da mulher louca por gatos foi dado pela série Os Simpsons, com a personagem Eleanor Abernathy (1998). Eleanor é uma feminista que investe na profissão, nunca se casa e não tem filhos. Mais velha, fracassada e solitária, se entrega à bebida e busca consolo em um gato. Acaba enlouquecendo e passa a atirar gatos nas pessoas.

Era uma vez uma solteirona e ela tinha um gato
Não estamos mais na Idade Média e tanto homens quanto mulheres têm optado por permanecer solteiros por mais tempo. Dados da ONU revelam que a elevação da média de idade do casamento é um fenômeno mundial. O percentual de jovens que preferem se manter solteiros também cresce a cada ano. Com base nas estatísticas, é provável que aumente o número de mulheres solteiras que amam gatos, assim como de solteiras que amam cães, de solteiras que amam outros animais e de solteiras que não amam bicho nenhum. Isso sem falar no aumento de homens solteiros nas mesmas condições. Com o passar do tempo, então, fará cada vez menos sentido estigmatizar somente as mulheres solteiras que gostam de gatos, não concorda?

Era uma vez uma mulher antissocial e ela tinha um gato
A ideia de que as mulheres apaixonadas por gatos não gostam de gente e têm pouca vida social é também comum. Em contrapartida, pessoas que preferem cães são consideradas sociáveis e extrovertidas. Nesse caso, a comediante e apresentadora Tatá Werneck só poderia ser dona de cães, mas tem dois cães e treze gatos. Cameron Diaz, a famosa atriz americana, é dona de cinco gatos e de uma intensa agenda social, tal como Katy Perry e Lady Gaga, todas apaixonadas por gatos. Resumindo, como em outras situações, generalizar pode ser sempre um erro.

Era uma vez um homem que tinha um gato e só podia ser gay
Ok, Freddie Mercury era gay e amava gatos. Mas Albert Einstein tinha um gato chamado Tiger e não era gay. John Lennon, que teve vários felinos ao longo da vida, também não. Tampouco Morgan Freeman que já posou com seu gato vira-lata preto algumas vezes. Muitos outros exemplos poderiam ser citados, mas esses já servem para mostrar que gatos podem ser amados por gays ou héteros, assim como qualquer outro pet.

Era uma vez um preconceito
Seria bom se fosse verdade, mas não é. O estereótipo da crazy cat lady sobrevive e ainda é forte. A boa nova é que existem homens, isso mesmo, homens tentando vencê-lo, como o fotógrafo David Williams, autor do projeto Men & Cats. Williams fotografou homens em diferentes cidades que, como ele, têm gatos. O objetivo foi “mostrar que, independentemente do gênero, muitas pessoas encontram nos gatos uma fonte de alegria e companheirismo”. Em tempo, David Williams vive com a namorada e a gata Margot no bairro do Brooklyn, em NY. Confira algumas de suas fotos.

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